quarta-feira, 24 de junho de 2009

O enigma das anotações

O Janô sempre fala pra não encucar, deixar sair no papel o que vem espontaneamente da experiência. Estou percebendo que a anotação é um laboratório em si, mas como a incandescência que acontece nos improvisos vem para o caderno sem queimar as folhas?

Aí a máquina da cabeça que separa, classifica e cataloga trava uma batalha.
“Deixar a cabeça solta na mão do companheiro? Não posso! Vou colocar uma intenção oposta, quando ele levar a cabeça para o lado esquerdo, levo o peso ligeiramente para a direita, ele nem vai perceber”.

Sair do registro muscular para descobrir a faísca que detonou o fluxo da vida.

É preciso alucinar o ocorrido, senão a isso vai se reduzir as nossas vidas (às manchetes de jornal). Nuno Ramos

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