O Janô sempre fala pra não encucar, deixar sair no papel o que vem espontaneamente da experiência. Estou percebendo que a anotação é um laboratório em si, mas como a incandescência que acontece nos improvisos vem para o caderno sem queimar as folhas?
Aí a máquina da cabeça que separa, classifica e cataloga trava uma batalha.
“Deixar a cabeça solta na mão do companheiro? Não posso! Vou colocar uma intenção oposta, quando ele levar a cabeça para o lado esquerdo, levo o peso ligeiramente para a direita, ele nem vai perceber”.
Sair do registro muscular para descobrir a faísca que detonou o fluxo da vida.
É preciso alucinar o ocorrido, senão a isso vai se reduzir as nossas vidas (às manchetes de jornal). Nuno Ramos
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