“No me escribas, no me llames ao telephono.”
“No és possible. Hay cosas em la vida que no se puede evitar.”
“Olvidame.”
Disse secamente: “Como queiras”.
“No te pongas enojado, por favor.”
“Como queiras.”
O mestre nos deu o conto.
Os três atores lemos juntos.
Me lembrei do Notas do Subsolo, de Dostoiévski, quando o personagem descreve a queda do paraíso dizendo que os homens começaram a se tornar mais apreciadores de si mesmos que dos outros, e valorizavam a si mesmo mais de que tudo no mundo.
Qual a diferença de textos que falam de particularidades e são universais e aqueles que ficam ali somente no universo individual?
Como as pessoas (e me incluo totalmente, por experiência própria) depositam sua vida numa coisa e se agarram tão forte àquilo que o espaço ao seu redor simplesmente desaparece?
Melodrama.
Dia seguinte, somente o mestre e o casal de atores, a coisa pegou.
Quedas
Os corpos e o sexo
Persigo seus pés me arrastando pelo chão
Na incandescência nada machuca
Atravessados por um estado que é do jogo, mesmo quando o choro vem não tem peso, é tudo no prazer da brincadeira
Limpo as marcas dele em meu corpo
Se dilacerar é uma delícia.
Ele falou que a gente ainda não tinha se encontrado em cena. Mas vasculhando papéis mofados das anotações de faculdade encontro O Jardim Silencioso, de Roberto Gomes. Se não me falha a memória, nosso querido professor Eudinyr Fraga havia feito uma crítica bombástica sobre ela...
“No me dejes.”
Dia seguinte, autor presente.
Sem incandescência, ou a fogo baixo, machuca. Roxos nos joelhos. Antes não tinha força, nem estava procurando emoção nenhuma!
Mas espero pelo terceiro round melodramático.
“Te espero, entonces.”
“No hay necessidad.”
“Pero quiero esperarte.”
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