No nosso último encontro, como de costume ( e que não percamos nunca esse maravilhoso costume de vermos e comentarmos a arte de nos serviu) falamos de peças em cartaz e do que está entrando em cartaz.
Janô, o mestre-intuitivo saca um convite de uma tal dança flamenca, no Sesc. "Raízes, não percam".
Fui ver o cara. Ordem da chefia. (E que tenha toda semana uma tarefa-de-casa dessas).
...
Até agora aturdido.
http://www.youtube.com/watch?v=RfmCd-caWUU
E para nós, antopofágicos por natureza, aproveitemos desse filé mignon, ou desse quiche de abobrinha para os vegetarianos.
E a generosidade é tanta que vai além da arte, entra no programa e dá a receita que resumidamente diz:
"o primeiro passo acontece na teoria: a pesquisa de um conceito que ainda não tenha sido trabalhado, que apresente algo novo, que contenha um tema que me instigue. O segundo é desenhado em ondas imaginárias, que vão sugerindo movimentos mudos. Somente no terceiro passo é que o espetáculo começa a tomar forma. Apresento aos músicos os caminhos mais inesperados que meu corpo sempre acaba seguindo para que, assim, criem juntos as frases melódicas que vão preencher os espaços restantes do novo espetáculo."
E o resultado é a profundo na técnica e na catarze com a platéia e muito simples de se ver: um cantor, um violinista, um dançarino. Sem cenário, sem efeitos, sem figurinos típicos da dança flamenca.
Diz ele ao Estado:
"Creio que propiciei uma evolução em meu corpo e desenvolvi uma forma muito pessoal de pensar o flamenco. A crítica se acostumou a estampar selos em qualquer tipo de manifestação artística, mas a idéia é contar o flamenco. O que acontece é que, com o passar dos anos, queremos contar outra coisa, mas sobre a mesma base.”
Boa Janô. Intuição aos 60 anos...
Não posso estar errado.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
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